Renunciei aos cafés na Olívia durante a última semana para me debruçar sobre boletins de ocorrência e consultar registros em delegacias da Polícia Civil da Bahia, com o único intuito de encontrar relatos macabros sobre a aparição de um suposto vampiro no estado.

Além de crimes tenebrosos, busquei depoimentos sobre eventos sobrenaturais arrepiantes que repercutiram em diferentes épocas, em cidades baianas: de cadeiras de rodas que rondam igrejas à meia-noite a pequenas criaturas assemelhadas a demônios que surgem ao anoitecer em lugares ermos.

Entre os depoimentos horripilantes que colhi, alguns apresentam semelhanças impressionantes e diferenciam-se apenas em detalhes narrativos, como se partissem de uma mesma essência que se repete em diferentes regiões do país e revela a força do imaginário coletivo diante do desconhecido.

Escrever a crônica desta semana foi como imergir no mundo espiritual que habita o interior do Nordeste brasileiro. Permiti-me, sem qualquer preconceito, escutar essas narrativas populares que tentam dar forma ao extrassensorial, ao místico e ao oculto, sem perder de vista a materialidade da realidade. O resultado é um texto repleto de eventos que tensionam o ceticismo, sem renunciar ao conhecimento que a ciência nos proporcionou.

Ótima leitura — e até a próxima.

Um abraço,

Will Assunção