Bater punheta ─ ou admitir ser adepto da prática de descabelar o palhaço ─ não deveria ser um tabu moderno. Mas acabou se tornando um, talvez por causa da onda moralista na qual o mundo parece ter embarcado nos últimos anos. O que não nos contaram é que essa busca por alívio está para o homem como o sol está para o verão brasileiro: são praticamente inseparáveis.

Mas por que diabos temos vergonha ou receio de admitir que batemos uma toda vez que o tesão aperta ou quando somos estimulados por uma fotinho de visualização única? A resposta talvez esteja na forma como a masturbação masculina costuma ser vista: uma suposta fraqueza construída por fatores culturais, morais e simbólicos ligados à maneira como a masculinidade foi moldada socialmente.

Essa visão ainda é alimentada por discursos religiosos e moralistas que associam a nossa punheta à culpa, ao vício ou à degeneração moral. Ainda hoje, ouvimos que “homem de verdade transa”, relegando a masturbação ao status de “prêmio de consolação”.

Há também um componente ligado ao orgulho masculino. Para alguns homens, admitir que se masturbam com frequência pode soar como admitir dificuldade para transar, mesmo que isso não corresponda à realidade. Por isso, a prática muitas vezes permanece cercada de piadas, segredos e vergonha.

A crônica desta semana vira a chave ao expor uma contradição curiosa: a punheta é extremamente comum e socialmente conhecida, mas continua sendo tratada como algo meio vergonhoso. Ou seja, é normalizada na prática e condenada simbolicamente.

No fim das contas, o julgamento geralmente não nasce da masturbação em si, mas do significado que diferentes culturas atribuem a ela. Em uma relação saudável com a sexualidade, a prática não é automaticamente sinal de fraqueza nem de força; tudo depende da forma como se integra à vida emocional, afetiva e social de cada pessoa.

Boa leitura!


Um abraço,

Will Assunção