Reza a lenda que, ao descobrirmos a punheta, descobrimos também que jamais nos tornaremos solitários a ponto de não conseguirmos desfrutar do prazer da nossa própria companhia. Se essa poderosa válvula de escape nos alivia da perda total de controle da ereção — nos momentos de tensão sexual —, resta saber se ela é apenas uma fase ou o destino de todos nós, homens. Afinal, a punheta tem prazo de validade?

Esse é um questionamento que ronda quase todo homem ainda antes dos 14 anos, quando ele constata que a masturbação — além de inevitável — se revela não apenas um prazer momentâneo, mas também um hábito duradouro. Mas até quando?

Pouco ou nada importa quando somos tomados por hormônios que entram em ação como um turbilhão desproporcional e, de repente, descobrimos uma solução eficaz para um incômodo quase existencial. Então, cada célula, cada sinal, cada arrepio se transforma em um ensaio urgente para uma existência que ainda não sabíamos ser possível, mas cujo caminho nossos dedos já haviam aprendido com intensa familiaridade.



Assim como os games, a masturbação é vista por muitos homens como uma prática que desapareceria naturalmente com a chegada da vida adulta. Só que a punheta é como um PlayStation: para alguns, trata-se apenas de um passatempo provisório da adolescência, deixado para trás com o tempo; para outros, ela permanece até surgir algo melhor.

Mas por que diabos temos vergonha ou receio de admitir que batemos uma toda vez que o tesão aperta ou quando somos estimulados por uma fotinho de visualização única? A resposta talvez esteja na forma como a masturbação masculina costuma ser vista: uma suposta fraqueza construída por fatores culturais, morais e simbólicos ligados à maneira como a masculinidade foi moldada socialmente.

Essa visão ainda é alimentada por discursos religiosos e moralistas que associam a nossa punheta à culpa, ao vício ou à degeneração moral. Ainda hoje, ouvimos que “homem de verdade transa”, relegando a masturbação ao status de “prêmio de consolação”.

Há também um componente ligado ao orgulho masculino. Para alguns homens, admitir que se masturbam com frequência pode soar como admitir dificuldade para transar, mesmo que isso não corresponda à realidade. Por isso, a prática muitas vezes permanece cercada de piadas, segredos e vergonha.

Mas será mesmo que existe um momento em que a punheta é simplesmente superada? Talvez “superar” nem seja a palavra mais adequada, sobretudo quando ela se manifesta apenas como forma de aliviar tensões e viver a própria sexualidade. Afinal, a masturbação pode fazer parte de uma relação saudável com o próprio corpo. O problema começa quando deixa de ser escolha e passa a interferir nos relacionamentos, na autoestima ou até na maneira de lidar com emoções como ansiedade, solidão e frustração.

Sem neuras, talvez o primeiro passo seja perceber que, mesmo na fase adulta, o cinco contra um pode ser natural e espontâneo. O que empurra a mão para o jogo pode ser o simples tédio das tardes vazias, um estímulo ocasional ou até mesmo uma reação hormonal — nada anormal. A masturbação permanece presente entre adultos, mas não substitui completamente o contato afetivo ou sexual com outras pessoas.

Ah, também é importante considerar que aquela punhetinha despretensiosa não venha acompanhada de culpa constante ou da sensação de perda de controle, além de não interferir na vontade de se relacionar com outras pessoas. Nesses casos, a prática aparece apenas como uma expressão natural do desejo, do prazer e do autoconhecimento do próprio corpo.

É comum que, depois de adultos, nós, homens, mantenhamos a masturbação mesmo estando em relacionamentos, porque ela também pode servir para explorar fantasias, conhecer preferências sexuais ou simplesmente sentir prazer, sem que isso represente um problema.

  • mão amiga

A “mão amiga” também pode fazer parte da exploração da própria sexualidade, do desejo de intimidade, da curiosidade ou simplesmente da busca por prazer compartilhado. Para algumas pessoas, há ainda um componente de fetiche, isto é, um estímulo específico que aumenta a excitação sexual. O fetiche aparece quando a situação em si — ser masturbado (por sua vizinha ou pelo amigo), observar, entregar o controle ou sentir um toque diferente — ganha um valor erótico particular.

Mesmo em relacionamentos, muitos homens adultos não abandonam a punheta; pelo contrário, continuam recorrendo a ela, porque a masturbação não desaparece automaticamente com a maturidade. O desejo sexual permanece, assim como a necessidade de buscar prazer, lidar com o estresse ou simplesmente manter uma relação íntima com o próprio corpo.

Além disso, a vida adulta costuma trazer cansaço, ansiedade, frustrações, solidão e rotinas aceleradas. Nesse contexto, a masturbação pode surgir como uma forma rápida de conforto, distração ou descarga emocional. Para alguns homens, ela também continua ligada à curiosidade, mesmo dentro de relacionamentos.

Não há nenhum problema em admitir para si mesmo que, como homem, é um punheteiro. Mas há se ela deixar de ser escolha e passar a ocupar o lugar de vínculos afetivos e de experiências reais de intimidade.