Eu devia ter por volta dos 11 ou 12 anos quando ouvi, pela primeira vez, Wuthering Heights, de Kate Bush, no rádio do carro, numa noite densa e chuvosa, em Salvador. Ao me deparar com a voz aguda ─ em falsete fantasmagórico ─, me arrepiei e suspeitei que aquela música narrava uma história de outro mundo.

Só leria O Morro dos Ventos Uivantes, romance gótico de Emily Brontë, 22 anos depois daquele episódio, já no curso de pós-graduação em literatura. Contudo, eu já conhecia a obra por meio de antigos fóruns da internet e de fenômenos virais nas redes sociais que, ao lado de Caio Fernando Abreu e Clarice Lispector, colocaram Brontë como uma das queridinhas daquele momento — além dos estudos realizados na graduação, em uma disciplina dedicada à literatura de língua inglesa.

Performática, Kate sempre foi uma artista capaz de hipnotizar qualquer um que a visse dançar a coreografia criada por ela especialmente para o clipe de Wuthering Heights. E comigo não foi diferente: eu era tragado para os moors de Yorkshire, no norte da Inglaterra, onde Heathcliff e Cathy viveram um amor corrosivo que transcende o plano físico desta dimensão.

Para esta crônica, resgatei um texto de Tia Helô que estabelece um paralelo entre o romance e a canção, analisando como Kate Bush escolheu passagens do livro para compor a letra de Wuthering Heights. Nele, percebemos que se trata de uma adaptação direta da obra literária em forma de música. Por isso, a assuntasó! decidiu unir música e literatura em um único texto. Espero que aproveite.

Um abraço ─ e até a próxima!

Will Assunção