Um. A sunga branca nunca é apenas uma sunga branca.
Dois. Definitivamente, o branco é uma cor indiscreta.
Indiscreta a ponto de entregar o que sugere. Principalmente quando são escolhas de homens que ostentam volumes incontidos e espontâneos. Quer dizer, nem todo homem consegue — ou deseja — esconder aquilo que existe entre as pernas. E não há problema algum nisso. Afinal, é a natureza se manifestando em sua forma mais exuberante.
Mas por que diabos as protuberâncias masculinas parecem sempre vir acompanhadas de uma sunga branca tão sugestiva a ponto de desenharmos com os olhos aquilo que já está impresso na nossa mente?
E, mais: por que a maioria de nós se sente tão tentada diante de uma cena que envolve homens de sunga branca? Pelo simples fato de ser sugestivo? Pelo simbolismo? Pela imaginação? Ou será que existe alguma espécie de código subentendido entre quem manja e quem exibe o que o tecido branco insiste em não esconder completamente?
Alguém, afinal de contas, sugere alguma explicação minimamente razoável para esse comportamento moderno?
Talvez seja justamente o quase.
Porque o que está completamente exposto deixa pouco para imaginar. E aquilo que está completamente escondido também. O problema — ou a graça — parece estar naquele território intermediário em que não vemos exatamente, mas vemos o suficiente para desejarmos.
E talvez seja por isso que uma sunga branca produza tanto alvoroço.
Mas e quem não consegue esconder e prefere simplesmente lidar com a própria sina ao escolher uma sunga branca pura e simplesmente porque gosta da cor? Isso é mesmo possível? Pode um homem comprar uma sunga branca sem qualquer segunda intenção? Pode entrar na piscina, caminhar pela praia, tomar sol e pensar apenas: “Gosto de branco”? Ou nós, espectadores, é que somos incapazes de acreditar na inocência alheia?
E se a questão não estiver na sunga? E se a grande questão for justamente em quem olha?
Porque o homem pode estar perfeitamente confortável dentro de sua própria pele, enquanto nós, do lado de fora, transformamos alguns centímetros de tecido em uma espécie de enigma visual. Ele não disse nada. Não prometeu nada. Não insinuou nada. Apenas vestiu uma sunga.
Branca.
E lá estamos nós, atribuindo intenções a uma escolha cromática.
Existe ainda o outro lado dessa história: o desconforto de quem possui um volume mais evidente e passa boa parte da vida tentando descobrir como se sentar, caminhar, correr, nadar ou simplesmente existir sem chamar atenção para uma característica que não escolheu ter. Há homens que precisam pensar duas vezes antes de vestir determinadas roupas, justamente porque sabem que qualquer tecido pode transformar aquilo que gostariam de manter discreto em assunto para os olhos alheios.
E assim vivemos diante de dilemas. Quando olhamos para alguém de branco, não sabemos se estamos diante de quem decidiu se exibir, de quem não conseguiu esconder ou simplesmente de quem gosta daquela cor.
E como quase tudo que envolve desejo, a verdade que construímos pode estar menos no que vemos e mais naquilo que imaginamos.
