Há idades que parecem chegar acompanhadas de uma cobrança. Os trinta e poucos talvez sejam uma delas. De repente, começam as perguntas sobre casamento, carreira, dinheiro, apartamento, filhos e sobre aquilo que, supostamente, já deveríamos ter conquistado. Foi a partir dessas inquietações que nasceu a crônica desta semana.
Mas falar sobre os trinta e poucos é também falar sobre o corpo que muda, sobre os primeiros sinais do tempo, sobre sexo, solidão, desejos e sobre a curiosa sensação de ainda sermos jovens enquanto já percebemos que não somos mais os mesmos. É olhar para trás sem transformar a juventude em um lugar idealizado e, ao mesmo tempo, olhar para frente sem a obrigação de ter todas as respostas.
Escrevi este texto pensando em quem, como eu, já se viu comparando a própria vida com a dos outros e se perguntando se está atrasado. Talvez a maturidade não esteja em cumprir todas as etapas previstas por alguém, mas em descobrir quais delas realmente fazem sentido para nós. Afinal, quem disse que existe uma idade certa para estar exatamente onde queremos?
Espero que esta leitura provoque alguma identificação, uma lembrança, um sorriso ou até aquela pergunta incômoda que continua na cabeça depois que terminamos de ler. Porque, no fundo, talvez crescer seja justamente isso: aprender a fazer perguntas melhores sobre a vida que escolhemos viver.
Um grande abraço,
Will Assunção
