Assim como as mulheres, os homens também possuem seus objetos de desejo — e podem pagar caro por eles. Talvez, para muitos, um desses objetos seja justamente a possibilidade de um encontro com o ídolo do futebol Neymar Júnior.

A crônica desta semana parte da história de três amigos que pagaram o equivalente ao preço de três apartamentos populares para viver uma experiência desejada por boa parte dos homens apaixonados por futebol. Eles passarão um fim de semana na casa do menino Ney, no Rio.

O que isso pode dizer sobre a masculinidade na modernidade? Talvez a mesma coisa que o comportamento masculino parece gritar há milhares de anos: o homem é um ser social homoafetivo. Ele vê no outro aquilo que deseja para si, aquilo que gostaria de ser, aquilo que reconhece como o melhor do universo masculino. Em algum momento, porém, aprende também que é melhor não parecer interessado demais, porque o erótico tornou-se proibido nesse território.

A explicação talvez esteja na própria sociedade patriarcal, que ensinou os homens a admirar profundamente outros homens, a medir-se por eles, a imitá-los e a buscar sua aprovação, mas também a rejeitar qualquer manifestação de afeto que possa ser confundida com desejo.

Um abraço — e uma ótima leitura!

Will Assunção