Tenho uma tese um tanto libertária: toda forma de prazer é legítima, desde que não custe a dignidade de ninguém. O problema é que, entre o desejo e a liberdade, quase sempre existe um obstáculo chamado julgamento. E, curiosamente, aquilo que muita gente condena em público costuma ser exatamente o que desperta a curiosidade ou é consumido em segredo.
Talvez por isso o desejo seja tão fascinante: ele não respeita convenções. Nem fronteiras. Nem a necessidade humana de parecer moralmente impecável o tempo todo.
O beijo grego, uma das práticas mais cercadas de tabus, sobretudo quando o assunto é masculinidade, voltou ao centro dos comentários desde que a internet transformou intimidades em debates públicos. Entre memes, opiniões inflamadas e preconceitos reciclados, uma pergunta permanece.
Por que algo capaz de proporcionar tanto prazer ainda desperta tanta resistência? É essa a provocação da crônica desta semana. Porque, às vezes, compreender nossos tabus revela muito mais sobre os nossos medos do que sobre os nossos desejos.
Um abraço — e uma ótima leitura!
Will Assunção
