Às vésperas de 2026, chego à conclusão de que já não tenho idade para mentir ou ser hipócrita a respeito de algo tão banal quanto ao que desejo para o novo ano. Nos próximos 365 dias, eu gostaria de repetir várias fórmulas de sucesso da minha vida, como passar parte do verão em uma casa de praia e viajar ouvindo Marisa Monte. Mas também não cairia nada mal estrear algumas inéditas — como ganhar o prêmio de R$ 1 bilhão na Mega-Sena.

O que sei ao certo é que já resgatei escolhas e práticas que pretendo manter para sempre. Uma delas é a relação que cultivo com a leitura — quem escreve profissionalmente, como eu, precisa ler incansavelmente. Desde então, revistas, livros, artigos e outros bons textos passaram a integrar minha rotina. Outra diz respeito a quem permanece nos meus contatos e às razões pelas quais determinadas pessoas seguem ali, como apostas certeiras para o que a vida planejar.

Se o desejo é repetir receitas do passado, por que não incrementá-las com ingredientes picantes e existencialistas? Já reúno, no repertório, coragem e devoção para escrever sobre Deus e sobre Madame Bovary — não a de Gustave Flaubert, mas a que cruzou o meu caminho na Bahia, causando alvoroço e desconcerto. 

Ainda assim, sonho acordado e busco reviver o melhor no presente, com a brisa do mar e ao som de So Nice (Summer Samba), de Bebel Gilberto. O motivo? O mais óbvio. Fui forjado no verão brasileiro para celebrar a chegada de janeiro e tudo o que há de melhor por vir. É um típico clichê dos anos 2000 — eu sei —, mas o resgato para renovar as esperanças e ser, simplesmente, quem sou.

Viva intensamente a vida em 2026!

Um abraço

Will Assunção