O que sei ao certo é que já resgatei escolhas e práticas que pretendo manter para sempre. Uma delas é a relação que cultivo com a leitura — quem escreve profissionalmente, como eu, precisa ler incansavelmente. Desde então, revistas, livros, artigos e outros bons textos passaram a integrar minha rotina. Outra diz respeito a quem permanece nos meus contatos e às razões pelas quais determinadas pessoas seguem ali, como apostas certeiras para o que a vida planejar.
Se o desejo é repetir receitas do passado, por que não incrementá-las com ingredientes picantes e existencialistas? Já reúno, no repertório, coragem e devoção para escrever sobre Deus e sobre Madame Bovary — não a de Gustave Flaubert, mas a que cruzou o meu caminho na Bahia, causando alvoroço e desconcerto.
Ainda assim, sonho acordado e busco reviver o melhor no presente, com a brisa do mar e ao som de So Nice (Summer Samba), de Bebel Gilberto. O motivo? O mais óbvio. Fui forjado no verão brasileiro para celebrar a chegada de janeiro e tudo o que há de melhor por vir. É um típico clichê dos anos 2000 — eu sei —, mas o resgato para renovar as esperanças e ser, simplesmente, quem sou.
Viva intensamente a vida em 2026!
Um abraço
Will Assunção
